
Já faz algum tempo que os brasileiros têm ouvido falar sobre os riscos de uma crise financeira internacional. Primeiro fomos surpreendidos pela “tempestade” que atingiu os Estados Unidos. Muito se temeu e muito se especulou, mas nossos economistas eram otimistas em dizer que as suas conseqüências não seriam tão prejudiciais ao nosso país, pois nossa economia encontrava-se fortalecida e imune a maiores tragédias. Hoje, quase dois anos depois, fomos, novamente, surpreendidos por outra crise. Dessa vez, a crise financeira que aterroriza países pertencentes à chamada “zona do euro”, tais como a Grécia, a Espanha, Portugal... Muito se ouve falar, mas, na prática, fica meio difícil entender como a economia de países tão distantes pode atingir a economia brasileira.
Esse cenário ainda é um pouco confuso e, para entendê-lo melhor, é bom que entendamos certos aspectos. Porque se fala tanto em quebra de bancos comerciais, falta de crédito no mercado e ajustes fiscais? Porque motivo os governos precisam ter planos estratégicos na manga?
A causa mais comentada de uma crise financeira foi a quebra dos bancos comerciais que, no caso dos Estados Unidos se deu porque, diferentemente do que ocorre no Brasil, através de um sistema tradicional de crédito imobiliário, aquelas instituições concedem financiamentos para aquisição de imóveis sem exigir quaisquer garantias de seus clientes. Ao longo do tempo, esses devedores não conseguiram saldar suas dívidas e os bancos tiveram que arcar com hipotecas muito altas. Sem dinheiro em caixa, não tiveram como manter outros financiamentos e, então, o crédito na praça ficou escasso. Sem concessão de crédito, novas empresas deixam de ser criadas e outras não conseguem liquidar dívidas, além de não possuírem recursos para investir no próprio crescimento.
No caso da Grécia, a mais recente preocupação mundial, já faz algum tempo que as finanças públicas andam mal das pernas. Os gastos públicos foram mal empregados e a dívida externa vem crescendo a cada dia. O risco de “calote” para os países credores é grande. Com dívida, o governo grego precisa de um ‘’sócio’’ que injete dinheiro e o ajude a pagar suas dívidas. Esse sócio é o próprio contribuinte através de mecanismos que aumentem a arrecadação de tributos, sua grande fonte de receita. Entretanto, o aumento da arrecadação provoca aumento de preço que enfraquece a economia. O círculo se torna vicioso.
Outra conseqüência drástica e que, mesmo aparentando não ter correlação, mas que provoca preocupação, é a queda das bolsas de valores. Parece estranho, mas esse tipo de investimento é muito prejudicado, uma vez que, não havendo concessão de créditos, provocado pela queda dos financiamentos, o dinheiro para de circular no mercado, os investidores, sentem-se receosos de comprometer suas economias e deixam de comprar ações, promovendo a desvalorização e a queda nas bolsas do resto do mundo.
Diante desses cenários, os governos precisam, entre outras medidas, praticar ajustes fiscais para impedir que a economia entre em colapso. Ou seja, nossos representantes precisam impedir que o dinheiro ‘‘desapareça’’. Sendo assim, o governo brasileiro decidiu reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para as vendas de motocicletas de 150 cilindradas e reduziu o IPI para vários segmentos da economia como as vendas de carros populares novos, as vendas de motocicletas e as vendas dos eletrodomésticos da linha branca. Nesse último caso, podemos analisar a redução de 20para 10% para as máquinas de lavar. Na prática, um aparelho que custava R$1.200,00 passou a custar R$1.100,00. Qual a repercussão dessas medidas na economia? A resposta é simples: O dinheiro continuou circulando na praça e as medidas impediram que a indústria entrasse em colapso por queda na produção. Muito pelo contrário, a redução dos preços, provocada pelo pacote, incentivou o brasileiro a comprar e a demissão de muitos trabalhadores deixou de acontecer em razão da manutenção da produção daqueles produtos.
Depois desse “terremoto econômico”, a que conclusão os brasileiros podem chegar a respeito da arrecadação de tributos e, mais amplamente, sobre o Sistema Tributário Nacional? A pergunta fica no ar e, sempre com base nesse questionamento, continuaremos analisando o dia-a-dia de nossa economia através de muitas matérias a serem publicas neste blog.
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