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QUANTO SE TRABALHA PARA COMER?


De vez em quando os jornais divulgam pesquisas dos preços das cestas básicas no Brasil. Em um momento, o preço cai. Em outro, o preço sobe. Assim, o trabalhador caminha lutando para por na mesa o “pão nosso de cada dia”.

Um estudo realizado em 1938, em cada localidade do Brasil e em várias empresas, definiu o “salário mínimo ideal” para garantir a alimentação, moradia, vestuário, higiene e transporte do trabalhador brasileiro.

Bem, para a mesa da família brasileira, o governo definiu os produtos que compõem a Cesta Básica Nacional. Essa cesta é composta por alimentos nutritivos, necessários a sua alimentação.

Nesse cenário, a única coisa que nos vem à cabeça é que fica cada vez mais difícil, com o salário mínimo, manter uma vida digna e satisfatória. Então, vamos analisar o quanto é necessário trabalhar para por comida no prato, a chamada “ração essencial”.

Pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - DIEESE, mostra a parcela do salário que, em junho de 2010, contribuiu para a compra de alguns itens, tais como carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga.

Abaixo, destacamos as cidades consideradas mais caras, por ordem, no ranking da pesquisa.
São Paulo - Porto Alegre - Aracaju - Fortaleza
Gasto Mensal: R$249,06 - R$248,15 - R$184,17 - R$181,92
Tempo de trabalho: 107h26m - 107h03m - 79h27m - 78h29m
Cidade mais cara: 1º - 2º - 16º - 17º

Conforme percebemos, nas cidades de São Paulo e Porto Alegre, o trabalhador gasta metade do salário para se alimentar, tomando por base o salário de R$510,00. Já nas cidades como Aracajú e Fortaleza, a parcela do salário representa, aproximadamente, um terço do valor recebido.

Outra forma de enxergar a questão é ter conhecimento de que alimentos, como arroz e feijão, contribuem com 7% e, o óleo e o açúcar, com 16,25%, em tributos sobre os preços, conforme pesquisa realizada pela Receita Federal do Brasil.

Fazendo uma comparação com outros produtos, podemos pensar que uma lata de óleo que custa R$3,88 poderia custar R$3,25 e que 5kg de açúcar que custam R$4,99, poderiam custar R$4,18, sem os tributos corresppondentes. Esses valores não influem no bolso dos milionários, mas fazem muita diferença no bolso do trabalhador que ainda tem que arcar com alugueis, luz, água, roupas...

Por isso, precisamos refletir cada vez mais sobre o tema. Como um trabalhador que ganha R$510,00 se alimenta, paga um alguel de R$400,00, se veste, mantém a educação do filho numa instituição de nível de ensino mais elevado e pratica lazer? O sistema poderia mudar pra melhor? Pensamos que sim.

Fonte: DIEESE - www.dieese.org.br e Receita Federal do Brasil - www.receita.fazenda.gov.br

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