
Saímos todos os dias, em campo com vários objetivos, mas sem dúvida, o principal deles é ganhar o “pão nosso de cada dia”. Afinal, como sobreviver sem o alimento básico de nossas vidas?
É, desde que o mundo é mundo isso faz parte de nossa rotina diária e a expressão ganhou outra conotação nos dias atuais. Afinal, comprar o “pão” nosso custa cada vez mais caro. Pesquisas mensais feitas pelo DIEESE mostram os aumentos constantes de um dos alimentos básicos na mesa dos brasileiros.
O estudo realizado no mês de novembro identificou que o Estado do Espírito Santo tem o custo médio mais elevado no país. Cada kilograma de pão é vendido a R$8,16. Já a cidade de Aracaju tem o menor preço, cobrando R$4,68 pelo alimento.
Muitas razões podem explicar essa alta dos preços, mas a principal delas é que a farinha de trigo tornou-se a grande vilã do mercado. Considerando que metade do consumo de farinha de trigo é atendida com importação de sua matéria-prima, podemos entender melhor a questão. Países como a Rússia que é responsável pela exportação do trigo vem sofrendo com a seca, provocada por alterações climáticas. A partir de uma colheita menor, uma quantidade menor é oferecida ao mercado importador que, especialmente, nesse momento consome ainda mais. Assim, os preços se elevam cada vez mais em razão de uma procura maior.
Por outro lado, metade do que se consome é produzido no país, mas para a venda no mercado interno, os produtores utilizam como referência preços praticados no mercado externo. Daí, uma das explicações para preços elevados, não só para o pão, mas para qualquer produto derivado da farinha de trigo.
Outra questão que intriga os brasileiros pode ser explicada: Por que a queda do dólar não faz cair o preço do trigo importado? Porque mesmo com uma cotação menor, prevalece a lei da oferta e da procura. Quanto maior a procura e menor a oferta, maior o preço. Além disso, os importados ainda têm uma parcela do seu preço que é composta pelo imposto de importação pelos tributos cobrados no Brasil, assim como todas as despesas com alfândega.
Também há que se levar em conta que produtos como o pão francês e o macarrão também tem sua carga tributária cobrada nas suas respectivas vendas.
No caso do pão, em especial o francês, outras variáveis dão sua cota de contribuição. O porte do estabelecimento, os salários dos funcionários, o consumo de energia elétrica e o poder aquisitivo da região.
Por fim, passemos a demonstrar o preço do pãozinho de 50g, sem a carga tributária correspondente no Estado do Espírito Santo.
PAO/Kg - VALOR
PREÇO VENDA - 8,16
ICMS - 7% - 0,57
PIS - 1,65% - 0,13
COFINS - 7,6% - 0,62
IPI - 0% - 0,00
TOTAL TRIBUTOS - 1,33
PREÇO LIQUIDO - 6,83
% TRIBUTOS SOBRE PREÇO - 16,25%
Como podemso concluir, os tributos embutidos poderiam pagar quase 20% do produto, caso nao fossem cobrados dos brasileiros.
Fonte: Receita Federal do Brasil - www.receita.fazenda.gov.br
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