
Dizem por ai que povo desenvolvido é povo limpo. Eu diria que o Brasil, apesar de ser um país em desenvolvimento, muita gente diz que é “pobre, mas é limpinho”. O jargão popular até que faz muito sentido, uma vez que por aqui, tudo é caro. Fica difícil comprar até um sabonete. Obviamente, não estou me referindo as camadas mais privilegiadas da sociedade que vive a pão de ló, pois dinheiro nunca foi problema.
Pois é, ser pobre e limpinho é uma das proezas do brasileiro, porque, em se tratando de tributo, a coisa tá feia faz tempo. Imaginemos um trabalhador que batalha horas a fio e no fim do mês tem que se contentar com um mísero salário mínimo que mal da pra comprar a alimentação básica. Nesse contexto, produto de higiene pessoal é artigo de luxo. Vejam bem, não estou me referindo a perfume, cosméticos e similares.
Estou me referindo a aqueles produtos que são necessários para manter a boa higiene e saúde do corpo. Quantos de nós já paramos pra pensar que, ao comprar um simples sabonete ou um desodorantezinho inofensivo, estamos pagando uma fortuna em tributos? Acho que tenho a resposta: muito poucos para não dizer quase ninguém. Geralmente, os brasileiros questionam apenas o preço da vendinha da esquina ou do mercadinho do bairro. Entretanto, não é apenas a margem de lucro do comerciante que contribui para a composição dos preços. É bom que saibamos que cada vez que um sabonetinho é produzido, muitos tributos são embutidos no preço inicial da indústria e são recalculados cada vez que alguém o comercializa.
Enfim, a partir de agora, precisamos entender o que se passa no mundo mágico da carga tributária. É muito provável que os “cascões da vida” decidam de uma vez por todas nunca mais se banharem, mas mesmo sendo essa uma decisão radical e injustificável, é fato que o percentual de tributos pagos numa simples visita a vendinha do seu Manoel contribui com grandes cifras para os cofres públicos.
Nessa situação, a única alternativa, é traduzir e demonstrar os números. Só assim, poderemos reclamar, gritar, espernear e nos fazer ouvir diante do que consideramos injusto pela falta de retorno de “tamanho investimento”. Então, sem que seja intencional, vamos provocar consequencias traumáticas aos simpatizantes dos desodorantes (o sabonete tem uma ação mais radical e uma carga um pouco menor, embora alta), mais uma vez, vamos aos cálculos do peso dos tributos:
Preço do revendedor: R$2,50
ICMS: 25% - R$0,63
IPI: 5% - R$0.08
PIS: 2,20% - R$0,04
COFINS: 10,30% - R$0,17
Percentual de tributos sobre o preço: 36,73%
Total de tributos: R$0,92
Preço sem tributo: R$1,58
Caros leitores, como vocês viram, a coisa não é muito fácil, mas a esperança é a última que morre e o TRADUZINDO está pronto pra orientar.
Fonte: Receita Federal do Brasil
Eu ja tinha ouvido que o sistema trbutário brasileiro recalcula muitos trbutos na mesma cadéia produtiva. Se esses trbutos indiretos sao involutivos, o problema se engrandece com os produtos de primeira necessidade, como o sabonete. Eu pergunto, Sueli: A reforma tributaria que se propone, ou as propostas dos candidatos presidenciais, ¿comprendem a possibilidade de reduzir estos impostos indireitos e ao mesmo tempo aumentar os tributos direitos (sobre as rendas maiores)?
ResponderExcluirBs.